quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Linguagem Matemática e a Língua Materna


A relação entre a matemática e a língua portuguesa é considerada por muitos uma relação de extrema importância, pois abre um leque de oportunidades de se trabalhar com as situações-problemas que depende tanto a capacidade matemática de raciocinar e a interpretação e contextualização da língua materna.

A base matemática do ensino praticado hoje em dia traduz-se na busca do entendimento do abstrato e na procura da interpretação e utilização correta da matemática no dia-a-dia.

A Influência da Língua Materna em Matemática

Entende-se por língua materna aquela que aprendemos quando criança que, no caso do Brasil, é o português. Porém, esta não é a única linguagem que procuramos dominar ao longo da vida. Neste sentido, podemos afirmar que o processo de alfabetização não está limitado á língua materna, podendo ser estendido , à linguagem musical, a linguagem dos sinais (LIBRAS), a linguagem computacional e a linguagem
matemática, entre outras.

A relação entre a língua materna e a matemática é definida através da função que cada um exerce em nosso cotidiano. A língua materna se forma com a necessidade de expressão e comunicação do pensamento.
A Relação das Dificuldades da Linguagem, Leitura e Escrita com as
Dificuldades em Matemática

Estas incluem habilidades linguísticas (compreensão e o emprego da nomenclatura matemática, a compreensão ou denominação de operações matemáticas e a codificação de problemas representados com símbolos matemáticos), habilidades perceptivas (como o reconhecimento ou a leitura de símbolos numéricos ou sinais aritméticos, e o agrupamento de objetos em conjuntos), habilidades de atenção (como que transportamos e que devemos acrescentar a cada passo, e observar os sinais das operações) e as habilidades matemáticas (como o seguimento das sequências de cada passo nas operações matemáticas, contar objetos e aprender as tabuadas de multiplicar). (GARCIA, 1998, p.211)


A Produção, Interpretação e Resolução de Problemas nos Textos Matemáticos
O estudo de conceitos matemáticos adaptados em textos na educação básica pode contribuir significativamente no processo de aprendizagem e na facilidade de construir situações-problema no ensino fundamental e médio. A resolução de problemas é um fator que requer a interação da interpretação de textos, a contextualização com os conceitos matemáticos.
Dificuldades diagnosticadas:
1. Dificuldade de leitura que o aluno demonstra;
2. A falta de generalização nos conceitos matemáticos.
Uma questão importante na formação de opinião dos alunos que é a memorização e o conhecimento adquirido, o primeiro forma o conhecimento de maneira mecanizada, enquanto o segundo ajuda o aluno a refletir, questionar, indagar, duvidar, levantar hipóteses, imaginar soluções, organizar ideias e pesquisar. Isto faz com que o aluno perceba a importância dos estudos e suas aplicações no dia-a-dia.
Tópicos importantes quanto ao ensino/ aprendizagem:
1. Cobrança de informações;
2. Avaliação mal feita;
3. Informação Veiculada;
4. Pressão verbal: linguagem e escrita;
5. Discriminação de problemas típicos;
6. O conhecimento de fórmulas nunca é suficiente para se chegar a um resultado satisfatório.


Todo projeto educacional que não considera o ambiente cultural em que vivem os alunos é. por definição, alienante. O ensino da Matemática não será menos alienante que o ensino de qualquer outra matéria, se não considerar o contexto cultural dos alunos.
No Brasil, podemos constatar a existência de realidades culturais as mais contrastantes. Primeiramente, existem grupos indígenas, com línguas e representações matemáticas próprias e, frequentemente, desconhecidas.
A pesquisa etnomatemática é indispensável para que o ensino possa considerar os conhecimentos dos alunos nesse caso. Em segundo lugar, as diferenças de classes, caracterizadas por diferentes costumes e formas de educação informal, resultam em que alguns adquiram fora da escola um "capital cultural" valorizado pela escola, como significativo para a aprendizagem da Matemática, enquanto outros dispõem de conhecimentos não-reconhecidos como importantes para a aprendizagem escolar.Antropologia e Educação Matemática

Questões Psicológicas

Duas questões amplas vêm sendo investigadas no âmbito da psicologia com relação à Educação Matemática. A primeira refere-se aos subsídios da psicologia para a compreensão do processo educativo. Nesse sentido, a contribuição da psicologia tem sido a de explicar a natureza dos conceitos matemáticos, sua organização e seu desenvolvimento. A contribuição de Piaget na análise dos invariantes necessários à compreensão dos mais variados conceitos matemáticos, influenciou a pesquisa nesse campo, sugerindo investigações relativas à melhor época em que ensinar o conceito na escola e a importância da participação ativa dos alunos na resolução de problemas, a fim de que eles venham a compreender os invariantes dos conceitos.

A segunda questão, proposta pela psicologia frente à Educação Matemática, refere-se às consequências da aprendizagem da Matemática. O ensino da Matemática, como o ensino do Latim ou da Gramática, já foi. em certas ocasiões, justificado em termos de sua consequência ampla para o raciocínio dos alunos. No entanto, apenas recentemente, as consequências da aprendizagem da Matemática têm sido investigadas de maneira sistemática. Essas análises têm mostrado ser a questão muito mais complexa do que se imaginou anteriormente. Por um lado. Diversos estudos com populações pouco escolarizadas (como mestres-de-obras.
marceneiros, pequenos agricultores, feirantes. pescadores, etc.) mostram que é possível documentar de modo claro a compreensão de inúmeros invariantes ligados a conceitos matemáticos relativamente complexos, em pessoas que não frequentaram a escola por tempo suficiente para terem recebido instrução nesses conceitos. Por outro lado sua representação do conceito tende a divergir daquela transmitida na escola e a refletir as limitações específicas do modo de representação utilizado.

O Novo Papel do Professor
Se considerarmos o significado da Educação Matemática no mundo atual e a criação e o desenvolvimento de uma nova disciplina, a Educação Matemática, devemos concluir que o professor não pode mais reproduzir os modelos educacionais que ele próprio vivenciou enquanto aluno. Mudaram o mundo, os objetivos e a concepção de ensino, portanto, precisa mudar também o professor. As considerações psicológicas sugerem que o professor tem o papel de levar o aluno a reconstruir modelos matemáticos que ele compreenda em outras situações, representá-los de maneira a poder utilizar os mais poderosos sistemas simbólicos da Matemática, como instrumento de pensamento, utilizá-los em uma variedade de situações que lhe deem significado.

Finalmente, o professor de Matemática precisa também comprometer-se com o ensino crítico da Matemática. A Matemática cria realidades para o indivíduo como, por exemplo, através da escolha social de modelos que determinam o preço de serviços essenciais (como eletricidade) e os índices de inflação. A análise desses modelos que criam realidades é essencial à formação crítica do aluno.
“As pessoas crescidas adoram os números.
Quando você lhes fala de um novo amigo, elas nunca perguntam o essencial: ‘Qual é o som de sua voz?  
Quais são seus brinquedos preferidos? Ele coleciona borboletas?’
Elas sempre perguntam: ‘Qual é sua idade?
 Quantos irmãos ele tem?
 Quanto ele pesa?
 Quanto ganha seu pai?’ Somente então elas acreditam tê-lo conhecido.
Se você diz às pessoas crescidas: ‘Eu vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, com gerânios nas janelas e pombos no telhado...’ elas não conseguem nem imaginar essa casa.
 É necessário dizer-lhes – ‘eu vi uma casa de cem mil francos.’
Então elas exclamam – ‘Como é bonita!’”
(Antoine de Saint-Exupéry, em O pequeno Príncipe)






quarta-feira, 23 de setembro de 2015

PLANO DE AULA

1 – TÍTULO: Artes – Trabalhando com a música a Aquarela
Música: Apreciação significativa em música: escutar, se envolver e compreender a linguagem musical.
 Intérprete: Toquinho / Composição: Toquinho / Vinicius de Morais / G. Morra / M. Fabrizio
2 – OBJETIVOS:
- Desenvolver o gosto pela linguagem poética e pelo belo
- Representar a música “Aquarela” através de quadrinhos feitos com a técnica de recorte e colagem utilizando diferentes materiais
- Cantar a música “Aquarela”.

3 – PÚBLICO ALVO: 4º Ano do Ensino Fundamental

4 – MATERIAIS:
- Aparelho de CD
- Papéis coloridos
- Cola branca e tesoura
- Cartolina
- Tintas guache
- Revistas
5 – DESENVOLVIMENTO:
- Separe a música em partes
- Desenhe as cenas que a música sugere
- Escreva a letra da música em partes e intercale os trabalhos, como se fossem quadros.
Conteúdos trabalhados:
- Música e poesia
- Canto
- Cores, linhas, formas, proporção, harmonia.
Técnicas trabalhadas:
- Recorte e colagem c
- Montagem e organização e texto
Início – Apresente a letra da música para as crianças. Peça que leiam e falem qual a mensagem que a poesia traz.
Coloque a música para tocar e pergunte aos alunos o que eles acharam da poesia depois de ouvi-la em música.
Desenvolvendo a criatividade
- Divida a música em várias partes
- Separe a classe em grupos (tantos grupos quanto o número de separações da poesia).
- Sorteie qual grupo deverá representar cada parte
- Peça às crianças que representem a parte da música através do recorte e colagem com papel
- Peça que colem o que criaram em uma cartolina.  
Finalização do trabalho – Cole cada quadro e escreva em tamanho grande, o verso correspondente. Monte uma exposição e convide os outros alunos.
6 – AVALIAÇÃO:
Essa aula tem o objetivo de despertar na criança o gosto pela boa música, ensinando que a música também é um poema.
Trabalhar a arte de desenhar, pintar e colar, montar cartazes, trabalhar em grupo e explicar a importância desse trabalhar em grupo.
E depois expor os trabalhos, para que sintam orgulho do trabalho realizado.
Acho muito importante o trabalho com a música referente às crianças, as boas músicas, pois, estamos carentes disso.
Com certeza quando estiver trabalhando, esta será uma aula que com certeza gostaria de trabalhar.

  
Letra da Música
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo,
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo...
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva,
E se faço chover com dois riscos tenho um guarda-chuva...
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel,
Num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu...
Vai voando contornando a imensa curva Norte e Sul,
Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul,
Pinto um barco a vela, branco navegando, é tanto céu e mar num beijo azul...
Entre as nuvens, vem surgindo um lindo avião rosa e grená,
Tudo em volta colorindo com suas luzes a piscar...
Basta imaginar e ele está partindo, sereno e lindo,
Se a gente quiser ele vai pousar...
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida,
Com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida...
De uma América a outra eu consigo passar num segundo,
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo...
Um menino caminha e caminhando chega no muro,
E ali logo em frente, a esperar pela gente o futuro está...
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar,
Não tem tempo, nem piedade nem tem hora de chegar...
Sem pedir licença muda a nossa vida e depois convida a rir ou chorar...
Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá,
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar...
Vamos todos numa linda passarela, 
De uma aquarela que um dia enfim descolorirá...
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo (Que descolorirá!)
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo (Que descolorirá!)
Giro um simples compasso, num círculo eu faço o mundo (Que descolorirá!)...

Referências:


terça-feira, 25 de agosto de 2015

A Mitologia do Preconceito Linguístico

Mito nº 6
“O certo é falar assim porque se escreve assim.”
O autor explica o fenômeno da variação, onde nenhuma língua é falada do mesmo jeito em todos os lugares, assim como nem todas as pessoas falam a própria língua de modo idêntico. A supervalorização da língua escrita, combinada com o desprezo da língua falada, é preconceito.
Esse mito tem como maior colaborador o sistema de ensino, pois é através dele que o aluno é obrigado a ler como se escreve, não levando em consideração o ambiente do falante. É lógico que a ortografia segue regras, devendo ser cumpridas, mas a fala não deve imitar a escrita, pois como podemos perceber em nosso dia-a-dia o ser humano aprende primeiro a falar e depois a escrever, sendo assim é uma hipocrisia afirmar que a língua deve ser como a escrita.
http://www.pixton.com/br/comic/gpzgzq7v

terça-feira, 9 de junho de 2015

FOTOGRAFIA E CINEMA

Para além da possibilidade de se conversar com as crianças sobre as transformações de sua história a partir das fotografias pessoais, de família, dos amigos, que trazem registrados de passeios, festas e demais situações, as máquinas fotográficas ou celulares que possuem câmeras possibilitam realizar imagens que colaboram com as nossas capacidades de olhar a partir de pontos de vistas alternativos: dependendo de como são realizadas as fotos, obtemos mais detalhes sobre os objetos focados, descobrindo particularidades dificilmente vistas. Podemos nos colocar, junto às crianças, a observar variadas texturas, o que ocorre entre as formigas no parque da creche ou da pré-escola, os grãos de arroz no momento em que a refeição é servida, as paredes que delimitam as salas, as trilhas feitas na terra pelos insetos, os olhos, mãos e gestos dos amigos da turma, enfim, infinitas possibilidades de pesquisa nos ambientes vividos pelos meninos e meninas. Pode-se facultar às crianças junto com os adultos a composição de fotografias mediante a confecção de pinholes, que são máquinas feitas com latinhas de leite em pó, molho de tomate. Ao serem guardadas as fotografias compõem coleções pouco comuns nos espaços educacionais. São imagens que registram o cotidiano na perspectiva da criança e, ainda mais, considerando sutilezas pouco exploradas e conhecidas por todos. A experimentação de materiais, instrumentos e técnicas, a observação da natureza, por exemplo, garantem a expansão dos conhecimentos plurissensoriais. Em aventuras pelos diferentes lugares habitados, nas pequenas e grandes cidades, as crianças, portando máquinas fotográficas podem sair pelas ruas, explorando espaços, para conhecer os lugares – de encontros, de lembranças, de amizades, de alimentação, de confrontos – para construírem-se como pertencentes a eles, num exercício de percepção constante, Agosto/2010 focado e presentes em suas lentes. Quais são suas escolhas? Quais aspectos do cotidiano foram explorados? Quais pessoas? São perguntas que podem caminhar conosco e que nos ajudam a olhar e aprender com as crianças sobre seus pontos de vista a cerca do cotidiano por elas vivido e construído. A fotografia pode ser vista então como ato de comunicação que, ao mesmo tempo distinta do cotidiano, o compõe e o exibe, colocando-se e àqueles que a observam em diálogo. Quanto ao cinema, compreendido aqui como linguagem e prática cultural em que temos as relações sociais, psíquicas, estéticas todas implicadas, o que se percebe é que nos últimos anos do século XX e início do XXI a infância tem sido considerada nos enredos, ocupando cineastas, telas de cinemas e prateleiras de locadoras, estas últimas, constituindo-se como importantes lugares para onde se pode ir objetivando descristalizar coisas aprendidas e se propor a aprender outras novas. As experiências das crianças encontram no cinema lugar precioso para serem observadas e aprender com elas de muitos modos, a partir das inúmeras formas como são representadas, dando-lhes visibilidades diversas. Os contextos em que estão inseridas tornam-se conhecidos, com isso a pluralidade cultural, as formas de relação estabelecidas entre adultos e crianças e entre estes e os diferentes espaços escolares e sociais em que atuam. Está ai uma rica contribuição para a formação docente. Mas, e o cinema feito para as crianças? Como situar-se diante dos filmes infantis que ora são assistidos no cinema ora, alugados para serem vistos nas próprias creches e pré-escolas? Em primeiro lugar, se tem experiências diferentes – assistir nas unidades educacionais e nas salas de cinema ou mesmo quando são projetados em praças públicas e isso deve ser considerado2 . Não se pode exigir das crianças o mesmo tipo de comportamento e relação. Ainda assim, deve-se tomar cuidado com a escolarização dessa forma de arte: os filmes não podem servir a funções avaliadoras, de transposição de conteúdos escolares, ainda que os mais simples, ou mesmo, como suporte moralizador da infância. Adotar uma postura critica frente às obras a serem escolhidas é fundamental e se pensar que os corpos, que tanto reclamam liberdade de expressão em lugares amplos, têm que ser olhados com atenção, não se pode roubar o tempo das experiências corporais, da dança, dos ritmos, da busca pelo conhecimento, prendendo as crianças em cadeiras durante muito tempo. Sabe-se que, entre outros aspectos, essas produções culturais também são responsáveis pela constituição das crianças no que toca ao gênero, aos valores, às relações com os familiares e colegas, enfim, ensinam sobre o mundo vivido, imaginado e provoca invenções e fantasias. Ao professor caberá cumplicidade, ao mesmo tempo em que mediará junto as crianças as relações entre elas e o filme assistido. O cinema é também uma maneira de propiciar experiências estéticas às crianças, observando isso, é imprescindível que o adulto considere, nos filmes, sua forma e conteúdo, linguagens utilizadas, o caráter da produção, já que se trata de uma forma de possibilitar compreensão de mundo e simultaneamente promover criações. E a criança, pode criar? Precisa-se de materiais tais como filmadoras, ou celulares que filmem. Os desenhos criados pelas próprias crianças podem dar o tom para a elaboração coletiva de roteiros. Desenhos podem ser somados a outras linguagens em intensas pesquisas: escolher histórias e colocar amigos, massinhas ou somente desenhos, animando-os de modo bastante simples, considerando que raramente haverá a possibilidade de editar as imagens, não se trata de algo profissional evidentemente, mas  de experiências de criação que envolvem muitas pessoas de todas as idades. O contexto do filme, que poderá ter uma curta duração, pode ser acordado entre todos: será um drama, uma comédia, relatar algum fato ocorrido na creche ou pré-escola, os bebês da creche podem participar com as crianças maiorzinhas contribuindo com o que tiverem e puderem. Para se criar uma sequência de movimentos, pode-se fazer inicialmente desenhos variados, semelhantes, como num flip-book e deixar as crianças brincarem com a ilusão de movimentos que é gerada à medida que as folhas do flip-book – livros em diferentes tamanhos, que ao serem manipulados pagina a página, bastante rapidamente fazem com que as imagens desenhadas ganhem movimento.


PINHOLES- MÁQUINAS FOTOGRÁFICAS COM LATAS USADAS 

Trata-se de um processo simples, do qual todos podem participar, sendo prazeroso e cujos resultados são muito interessantes. Para sua confecção serão necessários alguns materiais que poderão ser usados por diversas vezes: • Uma lata que tenha uma abertura com tampa, ou que possa ser fechada com papelão, do outro lado da lata fazer um furo que será tampado com fita isolante. • Papel fotográfico branco • Revelador • Fixador • Interruptor • 3 bacias para revelação Com o material você procederá do seguinte modo: Recorte um quadrado de 6cm x 6cm de papel fotográfico. (Isto deve ser feito no escuro ou num quarto com luz vermelha muito fraca) e cole este papel na parte interna da tampa da lata de modo que a emulsão sensível (a parte branca do papel fotográfico) fique para o lado do furo. (isto deve ser feito em quarto escuro ou com luz vermelha fraca). Feche a lata com a tampa. Para que as fotos sejam tiradas basta levar a lata para um lugar claro, apontá-la para o que você desejar fotografar e fixar a máquina sobre algo que a deixe imóvel. (A máquina não pode balançar durante a operação). Focando o objeto tire a fita isolante por 20 segundos e deixe o buraquinho da máquina focando-o, após, será necessário fechá-lo novamente e revelar o papel. Tudo deverá ser feito no escuro. Preparar bacias com os líquidos revelador, interruptor e fixador. Tirar o filme da maquina e mergulhá-lo no revelador por um minuto, já será possível ver as imagens aparecendo. Em seguida dois minutos no liquido interruptor e cinco minutos no fixador. Após todo o processo lavar em água corrente por alguns minutos. Se a foto ficar muito escura é devido a um longo período de exposição, com o furinho da lata aberto por muito tempo, são várias as experiências oriundas daí. Pode-se voltar ao local, fazer várias fotos, utilizar várias latinhas. Criar e ficar atento às imagens que resultam desses experimentos fotográficos dos quais as crianças, sem dúvida, poderão participar.





segunda-feira, 25 de maio de 2015

PNE - PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO



A primeira meta do PNE trata da Educação Infantil, e estabelece até o fim da vigência da lei deve-se ampliar a oferta de vagas em creches.



1. O que é o Plano Nacional de Educação?
O Plano Nacional de Educação (PNE) é uma lei ordinária, prevista na Constituição Federal, que entrou em vigência no dia 26 de junho de 2014 e valerá por 10 anos. Ela estabelece diretrizes, metas e estratégias de concretização no campo da educação. A partir do momento em que o PNE começa a valer, todos os planos estaduais e municipais de Educação devem ser criados ou adaptados em consonância com as diretrizes e metas estabelecidas por ele.
2. Quais são as metas do PNE?
O PNE tem 20 metas que abrangem todos os níveis de formação, desde a educação infantil até o nsino superior, com atenção para detalhes como a educação inclusiva, a melhoria da taxa de escolaridade média dos brasileiros, a formação e plano de carreira para professores, bem como a gestão e o financiamento da Educação. O plano também dá grande peso ao financiamento e ampliação dos investimentos. 
3. Quanto o Brasil investe em educação atualmente?
A porcentagem do investimento público direto em educação, em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) do país, foi de 5,3% em 2012, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A meta do PNE é que o país passe a investir o equivalente a 10% do PIB em educação. Isso deverá significar o montante de R$ 50 bilhões investidos anualmente em educação. Ou seja, o dinheiro destinado à educação deverá ser quase o dobro ao fim da vigência do plano, em 2023. Lembrando que a meta é que o investimento cresça gradualmente: a ampliação deve ser para 7% do PIB nos próximos cinco anos, chegando a 10% no prazo dos cinco anos seguintes.
4. De onde vai sair o dinheiro para aumentar o investimento em educação para 10% do PIB?
A lei de destinação dos royalties do petróleo, sancionada em 2013, estabelece que 75% desses recursos e 50% do Fundo Social do Pré-Sal serão destinados à educação. Esta é uma das principais fontes para se atingir, em 10 anos, a meta equivalente a R$ 50 bilhões anuais para a área. No decorrer da vigência da lei deverá também haver uma redistribuição orçamentária, especialmente do governo federal – que passará a ter maior participação no investimento total em educação, além da criação de novas fontes de recursos que garantam que o objetivo do PNE seja atingido.
5. O que é Custo Aluno-Qualidade Inicial (CAQi)?
No prazo de dois anos a partir da vigência do PNE, será implantado o Custo Aluno-Qualidade inicial (CAQi), um valor nacional mínimo que deverá ser invetsido por estudante para garantir a qualidade do ensino a cada etapa da educação básica. O indicador será referenciado no conjunto de padrões mínimos estabelecidos na legislação educacional, e terá o financiamento calculado com base nos respectivos insumos indispensáveis ao processo de ensino-aprendizagem. O CAQi será progressivamente reajustado até a implementação plena do Custo Aluno-Qualidade (CAQ).
6. O dinheiro do PNE poderá ser investido na educação privada?
O PNE prevê investimento na educação privada uma vez que estabelece, como estratégia para o aumento de matrículas no ensino superior, a ampliação de programas como o Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (Fies) e o Programa Universidade para Todos (Prouni). Para a expansão de matrículas na educação profissional, também há a previsão de aumentar a oferta de financiamento estudantil que é oferecida em instituições privadas de nível superior.
7. O salário dos professores vai aumentar?
Este é um dos grandes desafios do PNE. Algumas das metas do plano envolvem diretamente o professor, a valorização do magistério e o investimento na formação e na carreira de docentes. A meta 17, por exemplo, estabelece o respeito a profissionais de magistério das redes públicas da educação básica, com o objetivo de equiparar seu rendimento médio ao dos profissionais com escolaridade equivalente. Portanto, o salário dos professores deve, sim, aumentar. Isto deve acontecer até o final do sexto ano da vigência da lei.
8. O PNE vai aumentar o número de vagas em creches?
Sim. A primeira meta do PNE trata da Educação Infantil, e estabelece até o fim da vigência da lei deve-se ampliar a oferta de vagas em creches para atender pelo menos 50% das crianças de zero a 3 anos. A meta é, também, que esta fase do ensino seja universalizada até 2016 para crianças de 4 a 5 anos de idade. Ou seja: em 2023, metade das crianças de até 3 anos de idade deverão estar matriculadas em creches, e 100% das que têm 4 ou 5 anos de idade devem frequentar a escola.
9. O PNE vai aumentar o número de vagas no Ensino Superior?
Sim. A meta número 12 do Plano é elevar a taxa bruta de matrícula na Educação Superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população de 18 a 24 anos, assegurada a qualidade da oferta e expansão para, pelo menos, 40% das novas matrículas, no segmento público.
10. Quem vai fiscalizar o cumprimento do PNE?
O próprio PNE estabelece que a execução e cumprimento deverão ser monitorados de forma contínua, com avaliações periódicas. São responsáveis por esta fiscalização o Ministério da Educação (MEC), a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados e a Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal, o Conselho Nacional de Educação (CNE) e o Fórum Nacional de Educação. O monitoramento será realizado por meio de documentos, como estudos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) que devem ser publicados a cada dois anos durante a vigência da lei para mostrar a aplicação do Plano, e a realização de atividades como Conferências Nacionais de Educação. Os cidadãos que desejarem acompanhar o cumprimento das metas podem monitorar os índices no observatório do PNE.
*Com informações do INEP, Observatório do PNE e da Campanha Nacional pelos Direitos da Educação.




segunda-feira, 11 de maio de 2015

Secretaria de Educação Superior - SESu

A Secretaria de Educação Superior (SESu) é a unidade do Ministério da Educação responsável por planejar, orientar, coordenar e supervisionar o processo de formulação e implementação da Política Nacional de Educação Superior. A manutenção, a supervisão e o desenvolvimento das instituições públicas federais de ensino superior (Ifes) e a supervisão das instituições privadas de educação superior, conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), também são de responsabilidade da SESu.

Principais Programas, Unidades Responsáveis e Unidades Envolvidas
tabela 1
Cada vez mais, em um mundo onde o conhecimento se sobrepõe aos recursos naturais como fator de desenvolvimento humano, cresce a importância da escolarização e, em particular, da educação superior.
Ampliar e democratizar o acesso à educação superior de qualidade a partir do reconhecimento do papel estratégico das universidades para o desenvolvimento econômico e social do país é o principal objetivo do Ministério da Educação neste eixo de atuação. Proporcionar este nível de ensino a uma parcela maior da população é fator decisivo para a diminuição das desigualdades sociais e regionais, para o desenvolvimento científico e tecnológico, para a inclusão social e para a geração de trabalho e renda.
Nos últimos anos, o MEC vem adotando uma série de medidas com vistas à ampliação de cursos e vagas nas universidades federais, à interiorização dos câmpus universitários, à redefinição das formas de ingresso, à democratização do acesso a universidades privadas, ao desenvolvimento de programas de assistência estudantil, à reformulação da avaliação de cursos e instituições, ao desenvolvimento dos instrumentos de regulação e supervisão, bem como à ampliação da pós-graduação.
Educação Superior - Objetivo 0593
Objetivo 593

Objetivo 803
Educação Superior - Objetivo 0841
Objetivo 841
1 | Essa meta está presente nos três Programas Temáticos: 2030-Programa Educação Básica; 2031-Programa Educação Profissional e Tecnológica; e 2032- Programa Educação Superior-Graduação, Pós-Graduação, Ensino, Pesquisa e Extensão. Nesse sentido, optou-se por dispor o texto da análise apenas no Objetivo 0598 do Programa 2030.







quinta-feira, 7 de maio de 2015

Atual Ministro da Educação do Brasil

Renato Janine Ribeiro - Desde 06/04/2015









Natural de Araçatuba, São Paulo, o ministro Renato Janine Ribeiro é doutor em filosofia pela Universidade de São Paulo (USP). Desde 1994, é professor titular da disciplina ética e filosofia política na USP. Tem 78 capítulos de livros editados e 18 livros publicados. Recebeu o Prêmio Jabuti, em 2001; a Ordem Nacional do Mérito Científico, em 1997, e a Ordem do Rio Branco, em 2009.
Janine também foi membro do conselho deliberativo do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), de 1993 a 1997, e do conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 1997 a 1999. Foi secretário da SBPC de 1999 a 2001 e diretor de avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), de 2004 a 2008.
O Ministro anterior, Cid Gomes, deixou o cargo após um desentendimento com o Presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha.


Secretário de Educação de Frutal
José Luiz de Paula e Silva












Professor / Especialista em Gestão Educacional
Alguns Projetos da Secretaria de Educação de Frutal

CURSO DE BRAILLE
 O curso Braille objetiva capacitar professores e gestores para que possam identificar e atender às necessidades educacionais de alunos cegos ou com baixa visão, presentes em classes comuns do Ensino Regular.
Além dos profissionais da área, o curso está aberto aos pais, líderes comunitários e membros da comunidade em geral.
São dois módulos semanais, com aulas expositivas, oficinas e vivência, através de visitas ao comércio, troca de experiências com pessoas portadoras de deficiência trabalhada e outros.
Profissionais qualificados, aliados a um planejamento e material específicos garantem maior eficácia ao trabalho dos professores, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, etc.


XADREZ NA ESCOLA
A escola moderna trabalha o aluno estimulando o desenvolvimento de suas múltiplas potencialidades, atentando também para a aquisição de valores morais, que embasem uma postura ética diante das circunstâncias variadas do seu dia-a-dia.
Assim, a Secretaria Municipal de Educação implantou o Projeto Xadrez nas Escolas, visando estimular a concentração, a reflexão, levando o aluno a decisões conscientes, o que representará sensível avanço no seu desempenho escolar.
Em sua primeira fase, foram capacitados os educadores multiplicadores e posteriormente o programa se estendeu a alunos da Fase III e Fase IV e de 5ª a 8ª série.
Hoje é uma realidade nas escolas municipais, tendo sido muito bem aceito por toda a

BOM DE BOLA, CRAQUE NA ESCOLA
 O esporte nos ensina valores que levamos para ávida toda: respeito, disciplina, espírito de equipe, solidariedade, companheirismo, alegria que fazem do esporte uma prática mais que saudável. O Projeto “Bom de bola, craque na escola”, tem como objetivo estimular o esporte, o espírito participativo, aprimorando o sentido de liderança e perspicácia dos alunos, auxiliando na construção de cidadãos mais conscientes e participativos. O mesmo acontece uma vez ao ano.

Secretária de Estado da Educação de Minas Gerias


Macaé Evaristo
Macaé Evaristo – assistente social formada pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Mestre em Educação pela UFMG. É secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI) do Ministério da Educação no governo Dilma Rousseff. É professora da rede estadual de ensino desde 1984. Foi Secretária de Educação de Belo Horizonte (MG) e uma das responsáveis pelo programa de Educação Integral da capital mineira. Coordenou o programa de implantação de escolas indígenas de Minas Gerais entre 1997 e 2004.








Bem, falando sobre educação do nosso Município, tem algo que eu acho que não deveria acontecer, sempre vejo notícias de que crianças foram "expulsas" de escolas ou CEMEIs...
Eu acho isso inadmissível, expulsar uma criança? Por mais trabalho que ela possa dar, tem que haver um jeito de resolver, crianças de cinco anos sendo expulsas de CEMEIs, não concordo.
Como assim crianças de cinco anos podem ser expulsas?
Trecho da revista Nova Escola:
"A expulsão demonstra que a escola desistiu de buscar uma solução para o comportamento inadequado e reincidente do estudante e que prefere delegar o problema para outra instituição. Afi nal de contas, ele terá de procurar outra escola. Se alguém incorre em desvios de conduta com frequência, está claro que precisa de ajuda: expulsar é uma atitude extrema, que só deve ser efetuada depois de esgotadas todas as alternativas. Ou seja, primeiro os educadores devem aplicar medidas que visem educar e corrigir, inclusive com punições, como advertências e afastamento das aulas por um determinado período. Agressões físicas entre alunos, por exemplo, motivam muitas expulsões. Antes de a decisão ser tomada, os envolvidos devem ser chamados para uma conversa com a direção da escola, com a presença dos pais, para que exponham seus pontos de vista, conversem e se desculpem. Se estudarem na mesma turma, um deles poderá ser transferido para outra sala - algo bem menos traumático que a transferência para outra escola - e os professores devem ser instruídos para monitorar o comportamento de ambos com atenção. A expulsão pode ser evitada também com ações preventivas. É na hora do intervalo que as infrações e os desentendimentos ocorrem? Organize jogos esportivos ou outra atividade. Se nada disso der resultado, resta ainda a opção de recorrer ao Conselho Tutelar - que, por sua vez, tem como requisitar a ajuda do serviço social." 
Deixando claro que essa minha opinião, é em relação às crianças de quatro, cinco anos.
São tão pequenas, será que não se pode tentar? Procurar uma solução que não seja a expulsão?

 1. CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE E O DIREITO À EDUCAÇÃO
   
   
    A família e a escola são fundamentais para o desenvolvimento pessoal e social de crianças e adolescentes. Não se imagina a formação de adultos com personalidade bem estruturada, em condições de exercer cidadania e socialmente úteis, se a existência deste grupos sociais.
    O acesso e a freqüência com sucesso em uma instituição educativa significa, além do aprendizado dos conteúdos formais, a aquisição de sociabilidade e o exercício da cidadania. As condições para a construção de uma sociedade com justiça social dependem da universalização do ensino básico com qualidade.
    Através da aplicação da Constituição Federal e do Estatuto da Criança e do Adolescente garante-se o direito fundamental à educação.
    A Constituição Federal expressa que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, que deverá ser promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, objetivando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Também é possível, conforme a Constituição, a coexistência de instituições públicas e privadas de ensino. Quanto à escola pública, ou seja, a instituída e mantida pelo Poder Público, preocupou-se o legislador, principalmente, com o ensino fundamental, que engloba da primeira até a oitava série da educação básica.
    O Estatuto da Criança e do Adolescente, lei federal que está em vigor no nosso país desde outubro de 1990, trata dos direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes, dedicando-se, ao direito à educação, em destaque, nos artigos 53 a 59. Esta lei, na sua elaboração, contou com a participação da sociedade civil, através de movimentos populares e entidades organizadas, incluindo técnicos da área da educação.
    Logo que entrou em vigor e, infelizmente, até hoje, difundiu-se a idéia de que se tratava de lei que protegia em excesso as crianças e os adolescente, vedando qualquer atuação da polícia, do promotor, do juiz, do professor etc. Nada disso corresponde à verdade. O Estatuto apenas esmiúça pormenorizadamente os direitos fundamentais dos menores de dezoito anos, considerando-os pessoas que, por estarem em desenvolvimento, têm necessidades especiais. Não há qualquer regra que proteja em excesso o menor de dezoito anos.
    Outro dado importante é que crianças e adolescentes não estão excluídos da atuação dos pais, educadores e autoridades constituídas quando praticam atos anti-sociais. Em nenhum momento o Estatuto proíbe a atuação dos pais ou professores na imposição de limites aos menores de dezoito anos, os quais, aliás,têm o direito da recepção desses limites para se desenvolverem adequadamente. Veda-se, apenas, o desrespeito à integridade física e psíquica, o autoritarismo.
    Quando o artigo 53, do Estatuto da Criança e do Adolescente, elenca os objetivos da educação (pleno desenvolvimento do educando como pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho), traz ordem de importância que não pode ser esquecida. Há prevalência da consideração do ser humano sobre as exigências relativas à vida cívica e ao mundo do trabalho. A pessoa é a finalidade maior.
    Assegura-se às crianças e aos adolescentes a igualdade de condições para o acesso e permanência na escola.
    A garantia de acesso e de permanência significa que todos têm o direito de ingressar na escola, sem distinção de qualquer natureza, e não pode ser obstada a permanência de quem teve acesso.
    O acesso não pode ser impedido para qualquer criança ou adolescente, todos têm o direito a se matricular numa escola pública ou particular.
    A garantia de permanência significa que não pode ser excluído da escola o aluno indisciplinado, o portador do vírus HIV, os portadores de deficiência etc. A questão da manutenção de crianças e adolescentes na entidade escolar é um grande desafio. De um lado, há fatores externos da escola que impedem a permanência da criança e do adolescente na escola, como, por exemplo, o trabalho para auxiliar a família empobrecida. De outro, muitas vezes, a escola expulsa os mais pobres e menos favorecidos intelectualmente.
   
    É assegurado o direito ao respeito pelos educadores.
   
    A expressão educadores compreende professores, pedagogos e todos os que tenham participação direta na formação moral ou intelectual dos alunos. O preceito atinge qualquer forma de desrespeito, desde simples apelido que o professor coloque no aluno que o ridicularize, até o desrespeito aos direitos à integridade física e à liberdade, por exemplo. O direito ao respeito está consagrado na Constituição Federal e no Estatuto da Criança e do Adolescente e é a base onde se assenta a integridade física, emocional, moral e cultural do educando.
    A integridade física da criança e do adolescente não pode, de forma alguma, sofrer qualquer agressão. A escola não pode impingir castigos físicos, desde a moderna "palmada pedagógica" até a antiga "palmatória".
    Se houver desrespeito que submeta a criança ou o adolescente a vexame ou constrangimento, caracteriza-se um crime, com pena de detenção de seis meses a dois anos (artigo 232, do Estatuto da Criança e do Adolescente). O vexame consite no ato de causar humilhação e vergonha à criança ou ao adolescente. O constrangimento se caracteriza quando se obriga a criança ou o adolescente a fazer algo forçosamente.
    Frise-se, por outro lado, que o aluno também deve respeito aos diretores, professores, outros funcionários e alunos. A conduta desrespeitosa do aluno pode ser desde um mero ato de disciplina até um ato infracional que, conforme define o Estatuto da Criança e do Adolescente, corresponde a qualquer crime ou contravenção. Nestes casos, deve haver a atuação firme, legal e necessária dos educadores, pais, conselheiros tutelares, juízes de direito, promotores de justiça, delegados de polícia.
    Outrossim, há o direito aos educandos de contestarem os critérios de avaliação, podendo recorrer às instâncias escolares superiores.
    A avaliação deve se fundamentar em critérios objetivos, pois se adotada a aferição subjetiva para indicação de nota, conceito ou crédito, não se afasta a possibilidade de prepotência e até perseguição.
    A contestação ao critério de avaliação não pode ser considerado ato de indisciplina ou insubordinação, mas um direito a ser exercitado quando o aluno se sentir prejudicado. Ao possibilitar a faculdade de contestação por parte do aluno, há democratização das práticas escolares. O aluno tem o direito de conhecer os critérios de avaliação e se insurgir contra os mesmo, recorrendo, após a reclamação ao professor, às instâncias superiores da escola.
    Não significa, por óbvio, que o exercício deste direito tolha a liberdade dos professores para procederem à avaliação e que sempre deverão ser acolhidas as argumentações dos alunos. Apenas lhes é facultado legalmente contestações aos critérios de avaliação, que possibilitarão o seu progresso escolar, obtendo um pronunciamento que pode ser favorável ou desfavorável da pessoa ou órgão competente. O professor continua com autoridade para analisar e avaliar os exames. A forma de exercício desta atribuição é que pode ser objeto de questionamentos pelos alunos que se sentirem prejudicados com os critérios utilizados.
    Está garantido também o direito de organização e participação em entidades estudantis que objetivem a defesa dos direitos dos alunos. Este direito é, na verdade, conseqüência da garantia constitucional da plena liberdade de associação para fins lícitos. Para se criar entidade estudantil não há necessidade de autorização da escola e é proibida intervenção no seu funcionamento tanto da entidade escolar quanto do Poder Público. Somente por decisão judicial pode ser dissolvida ou ter suspensa suas atividades. A participação nas entidades estudantis tem valor altamente pedagógico, configurando um exercício prático de cidadania ativa.
    Os pais têm direitos em relação à escola: ciência do processo educativo e participação na definição das propostas educacionais. Busca-se, com o exercício destes direitos, a integração família/escola. As reuniões dos pais com os professores, a direção e contatos freqüentes com o corpo docente são necessários.
    O Estatuto da Criança e do Adolescente dispõe que os pais têm a obrigação de matricular seus filhos na rede regular de ensino, incumbindo-lhes o dever de educação dos filhos. Quando há omissão dos pais, pode ocorrer até a perda do pátrio poder e responsabilidade criminal pela prática do delito de abandono intelectual. Todas as conseqüências do comportamento omissivo dos pais decorre do fato de que a educação é um dever não só do Estado, mas também da família.
    Para cumprir as obrigações de dirigir a criação e educação dos filhos, os pais têm o direito de conhecimento do processo pedagógico adotado pela escola, para avaliá-los e saber se correspondentes aos princípios e expectativas quanto à formação integral dos seus filhos.
    Os pais têm, também, o direito de participar na definição das propostas educacionais, influenciando para que o ensino ministrado sirva aos seus filhos como instrumento de desenvolvimento de potencialidades e seja adequado aos costumes e princípios da família. Com o exercício desta função, há a exposição pelos interessados de suas necessidades e expectativas.
    O Estatuto da Criança e do Adolescente, outrossim, repetindo a Constituição Federal, dispõe que é dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os que não tiveram acesso na idade própria. Desaparece, assim, a vedação discriminatória do que são considerados "fora da faixa".
    De outra parte, no Estado do Paraná, com o objetivo de não excluir grande número de crianças que ainda permanecem fora da escola e não realizaram a matrícula na época determinada, o Conselho Estadual de Educação do Estado do Paraná regulamentou a denominada matrícula extraordinária, através da Deliberação nº. 40/88.
    Aos portadores de deficiência deve haver o atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, evitando toda e qualquer forma de discriminação que se queira fazer às pessoas portadoras de deficiência.
    É obrigatório o atendimento em creches e pré-escolas às crianças de zero a seis anos de idade, bem como a oferta de ensino regular noturno, adequado às condições do adolescente trabalhador.
    É tarefa do Poder Público os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar pela freqüência à escola. O recenseamento tem por objetivo, além da prevenção quanto à evasão, levantar o número de alunos matriculados no ensino fundamental para conferir um aporte de recursos compatível para o atendimento da demanda.