FOTOGRAFIA E CINEMA
Para além da possibilidade de se conversar com as
crianças sobre as transformações de sua história a partir das fotografias pessoais, de
família, dos amigos, que trazem registrados de passeios, festas e demais situações, as
máquinas fotográficas ou celulares que possuem câmeras possibilitam realizar imagens
que colaboram com as nossas capacidades de olhar a partir de pontos de vistas
alternativos: dependendo de como são realizadas as fotos, obtemos mais detalhes sobre
os objetos focados, descobrindo particularidades dificilmente vistas. Podemos nos
colocar, junto às crianças, a observar variadas texturas, o que ocorre entre as formigas
no parque da creche ou da pré-escola, os grãos de arroz no momento em que a refeição é
servida, as paredes que delimitam as salas, as trilhas feitas na terra pelos insetos, os
olhos, mãos e gestos dos amigos da turma, enfim, infinitas possibilidades de pesquisa
nos ambientes vividos pelos meninos e meninas. Pode-se facultar às crianças junto com
os adultos a composição de fotografias mediante a confecção de pinholes, que são
máquinas feitas com latinhas de leite em pó, molho de tomate.
Ao serem guardadas as fotografias compõem coleções pouco comuns nos
espaços educacionais. São imagens que registram o cotidiano na perspectiva da criança
e, ainda mais, considerando sutilezas pouco exploradas e conhecidas por todos. A
experimentação de materiais, instrumentos e técnicas, a observação da natureza, por
exemplo, garantem a expansão dos conhecimentos plurissensoriais. Em aventuras pelos
diferentes lugares habitados, nas pequenas e grandes cidades, as crianças, portando
máquinas fotográficas podem sair pelas ruas, explorando espaços, para conhecer os
lugares – de encontros, de lembranças, de amizades, de alimentação, de confrontos –
para construírem-se como pertencentes a eles, num exercício de percepção constante,
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focado e presentes em suas lentes. Quais são suas escolhas? Quais aspectos do cotidiano
foram explorados? Quais pessoas? São perguntas que podem caminhar conosco e que
nos ajudam a olhar e aprender com as crianças sobre seus pontos de vista a cerca do
cotidiano por elas vivido e construído. A fotografia pode ser vista então como ato de
comunicação que, ao mesmo tempo distinta do cotidiano, o compõe e o exibe,
colocando-se e àqueles que a observam em diálogo.
Quanto ao cinema, compreendido aqui como linguagem e prática cultural em
que temos as relações sociais, psíquicas, estéticas todas implicadas, o que se percebe é
que nos últimos anos do século XX e início do XXI a infância tem sido considerada nos
enredos, ocupando cineastas, telas de cinemas e prateleiras de locadoras, estas últimas,
constituindo-se como importantes lugares para onde se pode ir objetivando
descristalizar coisas aprendidas e se propor a aprender outras novas. As experiências das
crianças encontram no cinema lugar precioso para serem observadas e aprender com
elas de muitos modos, a partir das inúmeras formas como são representadas, dando-lhes
visibilidades diversas. Os contextos em que estão inseridas tornam-se conhecidos, com
isso a pluralidade cultural, as formas de relação estabelecidas entre adultos e crianças e
entre estes e os diferentes espaços escolares e sociais em que atuam. Está ai uma rica
contribuição para a formação docente. Mas, e o cinema feito para as crianças? Como
situar-se diante dos filmes infantis que ora são assistidos no cinema ora, alugados para
serem vistos nas próprias creches e pré-escolas?
Em primeiro lugar, se tem experiências diferentes – assistir nas unidades
educacionais e nas salas de cinema ou mesmo quando são projetados em praças públicas
e isso deve ser considerado2
. Não se pode exigir das crianças o mesmo tipo de
comportamento e relação. Ainda assim, deve-se tomar cuidado com a escolarização
dessa forma de arte: os filmes não podem servir a funções avaliadoras, de transposição
de conteúdos escolares, ainda que os mais simples, ou mesmo, como suporte
moralizador da infância. Adotar uma postura critica frente às obras a serem escolhidas é
fundamental e se pensar que os corpos, que tanto reclamam liberdade de expressão em
lugares amplos, têm que ser olhados com atenção, não se pode roubar o tempo das
experiências corporais, da dança, dos ritmos, da busca pelo conhecimento, prendendo as
crianças em cadeiras durante muito tempo.
Sabe-se que, entre outros aspectos, essas produções culturais também são
responsáveis pela constituição das crianças no que toca ao gênero, aos valores, às
relações com os familiares e colegas, enfim, ensinam sobre o mundo vivido, imaginado
e provoca invenções e fantasias. Ao professor caberá cumplicidade, ao mesmo tempo
em que mediará junto as crianças as relações entre elas e o filme assistido. O cinema é
também uma maneira de propiciar experiências estéticas às crianças, observando isso, é
imprescindível que o adulto considere, nos filmes, sua forma e conteúdo, linguagens
utilizadas, o caráter da produção, já que se trata de uma forma de possibilitar
compreensão de mundo e simultaneamente promover criações.
E a criança, pode criar? Precisa-se de materiais tais como filmadoras, ou
celulares que filmem. Os desenhos criados pelas próprias crianças podem dar o tom
para a elaboração coletiva de roteiros. Desenhos podem ser somados a outras linguagens
em intensas pesquisas: escolher histórias e colocar amigos, massinhas ou somente
desenhos, animando-os de modo bastante simples, considerando que raramente haverá a
possibilidade de editar as imagens, não se trata de algo profissional evidentemente, mas de experiências de criação que envolvem muitas pessoas de todas as idades. O contexto
do filme, que poderá ter uma curta duração, pode ser acordado entre todos: será um
drama, uma comédia, relatar algum fato ocorrido na creche ou pré-escola, os bebês da
creche podem participar com as crianças maiorzinhas contribuindo com o que tiverem e
puderem. Para se criar uma sequência de movimentos, pode-se fazer inicialmente
desenhos variados, semelhantes, como num flip-book e deixar as crianças brincarem
com a ilusão de movimentos que é gerada à medida que as folhas do flip-book – livros
em diferentes tamanhos, que ao serem manipulados pagina a página, bastante
rapidamente fazem com que as imagens desenhadas ganhem movimento.
PINHOLES- MÁQUINAS FOTOGRÁFICAS COM LATAS USADAS
Trata-se de um processo simples, do qual todos podem participar, sendo prazeroso e
cujos resultados são muito interessantes. Para sua confecção serão necessários alguns
materiais que poderão ser usados por diversas vezes:
• Uma lata que tenha uma abertura com tampa, ou que possa ser fechada com
papelão, do outro lado da lata fazer um furo que será tampado com fita isolante.
• Papel fotográfico branco
• Revelador
• Fixador
• Interruptor
• 3 bacias para revelação
Com o material você procederá do seguinte modo:
Recorte um quadrado de 6cm x 6cm de papel fotográfico. (Isto deve ser feito no escuro
ou num quarto com luz vermelha muito fraca) e cole este papel na parte interna da
tampa da lata de modo que a emulsão sensível (a parte branca do papel fotográfico)
fique para o lado do furo. (isto deve ser feito em quarto escuro ou com luz vermelha
fraca). Feche a lata com a tampa. Para que as fotos sejam tiradas basta levar a lata para
um lugar claro, apontá-la para o que você desejar fotografar e fixar a máquina sobre
algo que a deixe imóvel. (A máquina não pode balançar durante a operação). Focando o
objeto tire a fita isolante por 20 segundos e deixe o buraquinho da máquina focando-o,
após, será necessário fechá-lo novamente e revelar o papel. Tudo deverá ser feito no
escuro. Preparar bacias com os líquidos revelador, interruptor e fixador. Tirar o filme da
maquina e mergulhá-lo no revelador por um minuto, já será possível ver as imagens
aparecendo. Em seguida dois minutos no liquido interruptor e cinco minutos no fixador.
Após todo o processo lavar em água corrente por alguns minutos. Se a foto ficar muito
escura é devido a um longo período de exposição, com o furinho da lata aberto por
muito tempo, são várias as experiências oriundas daí. Pode-se voltar ao local, fazer
várias fotos, utilizar várias latinhas. Criar e ficar atento às imagens que resultam desses
experimentos fotográficos dos quais as crianças, sem dúvida, poderão participar.




Olá Deise,
ResponderExcluirAs possibilidades de trabalho com a fotografia são enormes. Muito interessante o texto que você pesquisou. Acredito que esta atividade, embora muito interessante e criativa contemple as variadas linguagens, sobretudo, a oral, a visual e a midiática. No entanto, acredito que esta seja uma tarefa muito elaborada para crianças que estejam inseridas na Educação Infantil, mas não é impossível!!
Um abraço,
Fabiano Camilozi - TD