PEDAGOGIA SOCIAL
Mais uma vez devido às grandes
transformações sociais que ocorrem nas sociedades atuais, uma nova concepção de
educação tem sido exigida. Os Estudos da pedagogia social vão ao encontro
daqueles sujeitos que historicamente sempre foram excluídos de todo esse
processo (Paula e Machado, 2008). Estas questões estão retratadas no próprio
documento do Ministério da Educação e Cultura, MEC (Brasil, 2005, p.5):
“Enfatiza-se ainda que grande parte dos Cursos de Pedagogia
hoje tem como objetivo central à formação de profissionais capazes de exercer a
docência na Educação Infantil, nos anos iniciais do ensino Fundamental, nas
disciplinas pedagógicas para a formação de professores, assim como para a
participação no planejamento, gestão e avaliação de estabelecimentos de ensino,
de sistemas educativos escolares, bem como organização e desenvolvimento de programas não escolares. Os movimentos sociais também têm insistido em
demonstrar a existência de uma demanda ainda pouco atendida, no sentido de que
os estudantes de Pedagogia sejam também formados para garantir a educação, com
vistas à inclusão plena dos segmentos historicamente excluídos dos direitos
sociais, culturais, econômicos e políticos.”
Embora
ainda haja discussões em torno da formação do profissional Pedagogo ter ou não
uma base na concepção de docência, essa dicotomia, no entanto têm em comum em
considerar a formação do Pedagogo como base científica. O profissional da
educação para atuar em espaços diversos, e também em espaços escolares, precisa
saber aprender a refletir de forma crítica, científica e teórica a fim de que
possa agir comprometido, competente e responsável com todas as classes sociais
e diferentes contextos (Paula e Machado, 2008) . Sobre esse tema Libâneo
(2006, p.7) afirma que:
“Todo
trabalho docente é trabalho pedagógico, mas nem todo trabalho pedagógico é
trabalho docente. Um professor é um pedagogo, mas nem todo pedagogo precisa ser
professor. Isso de modo algum leva a secundarizar a docência, pois não estamos
falando de hegemonia ou relação de precedência entre campos científicos ou de
atividade profissional. Trata-se, sim, de uma epistemologia do conhecimento
pedagógico. (…) Precisamente pela abrangência maior do campo conceitual e
prático da Pedagogia como reflexão sistemática sobre o campo educativo, pode-se
reconhecer na prática social uma imensa variedade de práticas educativas,
portanto uma diversidade de práticas pedagógicas. Em decorrência, é pedagoga
toda pessoa que lida com algum tipo de prática educativa relacionada com o
mundo dos saberes e modos de ação, não restritos à escola. A formação de
educadores extrapola, pois, o âmbito escolar formal, abrangendo também esferas
mais amplas da educação não-formal e formal. Assim, a formação profissional do
pedagogo pode desdobrar-se em múltiplas especializações profissionais, sendo a
docência uma entre elas.”
A
pedagogia social só começou a ter produções significativas a partir das últimas
décadas, onde esses artigos trazem as incertezas e divergências sobre a
estrutura e finalidade da educação não formal e da pedagogia social (Paula e
Machado, 2008). Porém todas as discussões concordam em não desvalorizar a
escola formal embora discutam os mecanismos excludentes que ela produz a partir
dos seus processos formais de aprendizagem.
Uma importante definição de Caliman (2006, p.5) que define bem a
respeito da pedagogia social, onde fica clara que ela é uma ciência voltada
para as classes sociais populares, argumenta da necessidade de mais estudos
sobre as práticas nessa área:
“(…) diz
respeito á diferença entre Pedagogia Escolar e Pedagogia Social. A primeira tem
toda uma história e é amplamente desenvolvida pela didática, ciência ensinada
nas universidades. A segunda, a Pedagogia Social, se desenvolve dentro de
instituições não formais de educação É uma disciplina mais recente que a
anterior. Nasce e se desenvolve de modo particular no século XIX como resposta
às exigências da educação de crianças e adolescentes (mas também de adultos)
que vivem em condições de marginalidade, de pobreza, de dificuldades na área
social. Em geral essas pessoas não frequentam ou não puderam frequentar as
instituições formais de educação. Mas não só: o objetivo da Pedagogia Social é
o de agir sobre a prevenção e a recuperação das deficiências de socialização, e
de modo especial lá onde as pessoas são vítimas da insatisfação das
necessidades fundamentais. Podemos reafirmar, portanto, que no Brasil atual a
Pedagogia Social vive um momento de grande fertilidade. É um momento de
criatividade pedagógica mais que de sistematização dos conteúdos e dos métodos.
Em outras palavras, mais que pedagogistas, temos no Brasil educadores que
colaboram com o nascimento e o desenvolvimento de um know how com identidade própria, rica de intuição pedagógica e de conteúdos.
Ao mesmo tempo nos damos conta de que é chegado o momento no qual precisamos
sistematizar toda essa gama de conhecimentos pedagógicos para compreender
melhor e interpretar a realidade e projetar intervenções educativas efetivas.”
Convém esclarecermos que os termos Pedagogia Social e Educação Social não são sinônimos. Pedagogia Social é uma disciplina científica; uma teoria que irá fornecer as ferramentas para a Educação Social, que é uma práxis. Entretanto, uma está intrinsecamente ligada à outra, mesmo que se diferenciem na produção discursiva (Pedagogia Social) para criar tentativa de sustentação de uma práxis (Educação Social). Trata-se de mais uma invenção de diferenciar termos frente ao uso deles com igual intensidade e densidade (e tensidade) na nossa realidade; trata-se ao nosso sentir, de demarcar espaços profissionais e discursivos (teóricos).
DEFININDO PEDAGOGIA SOCIAL Zucchetti (2008; p. 1) diz, em relação à Pedagogia Social, existem poucos estudos nessa seara, já na Europa (especialmente Espanha) esse saber fazer é entendido como ciência da Educação. Mas o seu enfoque se deu no século XIX na Alemanha, “mas é ao longo do século XX que a pedagogia social se consolida e se transforma em formação acadêmica”.
A pedagogia social é uma disciplina pedagógica ou, se preferir, uma das ciências da educação (MERCES, 2003). A educação social, portanto está inserida na ordem da prática, dos fenômenos e dos processos. A pedagogia social de rua traz a visão dos significados sociais que grupos diversos manifestam em suas diferenciadas situações.(...) O objetivo da pedagogia social de rua, não é manter a criança na rua, mas educá-la para que esta possa optar pela “desrualização”, esta é de certa forma uma contra-pedagogia que busca irromper uma nova cultura, que parta do cotidiano daqueles que elegem forçosamente a rua como morada. (...)A pedagogia social de rua por possuir especificidades, ainda é muito incompreendida, pois assume uma postura aberta, diferenciada de educação, o processo educativo acontece em espaços não formais dirigidos a grupos especiais, que em sua grande parte não são considerados como cidadãos possuidores de direitos pela sociedade que os cerca. ( Paiva, 2005. p. 3).
O educador precisa ter habilidade e competência estar atento para ser capaz de explorar as oportunidades repleta de possibilidades, que as práticas de educação não-formal oferecem para a construção da identidade, da recuperação da auto-estima, da preparação profissional e da conscientização política e social. Tornando os excluídos sujeitos de direitos e atores do seu próprio destino.


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