quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Linguagem Matemática e a Língua Materna


A relação entre a matemática e a língua portuguesa é considerada por muitos uma relação de extrema importância, pois abre um leque de oportunidades de se trabalhar com as situações-problemas que depende tanto a capacidade matemática de raciocinar e a interpretação e contextualização da língua materna.

A base matemática do ensino praticado hoje em dia traduz-se na busca do entendimento do abstrato e na procura da interpretação e utilização correta da matemática no dia-a-dia.

A Influência da Língua Materna em Matemática

Entende-se por língua materna aquela que aprendemos quando criança que, no caso do Brasil, é o português. Porém, esta não é a única linguagem que procuramos dominar ao longo da vida. Neste sentido, podemos afirmar que o processo de alfabetização não está limitado á língua materna, podendo ser estendido , à linguagem musical, a linguagem dos sinais (LIBRAS), a linguagem computacional e a linguagem
matemática, entre outras.

A relação entre a língua materna e a matemática é definida através da função que cada um exerce em nosso cotidiano. A língua materna se forma com a necessidade de expressão e comunicação do pensamento.
A Relação das Dificuldades da Linguagem, Leitura e Escrita com as
Dificuldades em Matemática

Estas incluem habilidades linguísticas (compreensão e o emprego da nomenclatura matemática, a compreensão ou denominação de operações matemáticas e a codificação de problemas representados com símbolos matemáticos), habilidades perceptivas (como o reconhecimento ou a leitura de símbolos numéricos ou sinais aritméticos, e o agrupamento de objetos em conjuntos), habilidades de atenção (como que transportamos e que devemos acrescentar a cada passo, e observar os sinais das operações) e as habilidades matemáticas (como o seguimento das sequências de cada passo nas operações matemáticas, contar objetos e aprender as tabuadas de multiplicar). (GARCIA, 1998, p.211)


A Produção, Interpretação e Resolução de Problemas nos Textos Matemáticos
O estudo de conceitos matemáticos adaptados em textos na educação básica pode contribuir significativamente no processo de aprendizagem e na facilidade de construir situações-problema no ensino fundamental e médio. A resolução de problemas é um fator que requer a interação da interpretação de textos, a contextualização com os conceitos matemáticos.
Dificuldades diagnosticadas:
1. Dificuldade de leitura que o aluno demonstra;
2. A falta de generalização nos conceitos matemáticos.
Uma questão importante na formação de opinião dos alunos que é a memorização e o conhecimento adquirido, o primeiro forma o conhecimento de maneira mecanizada, enquanto o segundo ajuda o aluno a refletir, questionar, indagar, duvidar, levantar hipóteses, imaginar soluções, organizar ideias e pesquisar. Isto faz com que o aluno perceba a importância dos estudos e suas aplicações no dia-a-dia.
Tópicos importantes quanto ao ensino/ aprendizagem:
1. Cobrança de informações;
2. Avaliação mal feita;
3. Informação Veiculada;
4. Pressão verbal: linguagem e escrita;
5. Discriminação de problemas típicos;
6. O conhecimento de fórmulas nunca é suficiente para se chegar a um resultado satisfatório.


Todo projeto educacional que não considera o ambiente cultural em que vivem os alunos é. por definição, alienante. O ensino da Matemática não será menos alienante que o ensino de qualquer outra matéria, se não considerar o contexto cultural dos alunos.
No Brasil, podemos constatar a existência de realidades culturais as mais contrastantes. Primeiramente, existem grupos indígenas, com línguas e representações matemáticas próprias e, frequentemente, desconhecidas.
A pesquisa etnomatemática é indispensável para que o ensino possa considerar os conhecimentos dos alunos nesse caso. Em segundo lugar, as diferenças de classes, caracterizadas por diferentes costumes e formas de educação informal, resultam em que alguns adquiram fora da escola um "capital cultural" valorizado pela escola, como significativo para a aprendizagem da Matemática, enquanto outros dispõem de conhecimentos não-reconhecidos como importantes para a aprendizagem escolar.Antropologia e Educação Matemática

Questões Psicológicas

Duas questões amplas vêm sendo investigadas no âmbito da psicologia com relação à Educação Matemática. A primeira refere-se aos subsídios da psicologia para a compreensão do processo educativo. Nesse sentido, a contribuição da psicologia tem sido a de explicar a natureza dos conceitos matemáticos, sua organização e seu desenvolvimento. A contribuição de Piaget na análise dos invariantes necessários à compreensão dos mais variados conceitos matemáticos, influenciou a pesquisa nesse campo, sugerindo investigações relativas à melhor época em que ensinar o conceito na escola e a importância da participação ativa dos alunos na resolução de problemas, a fim de que eles venham a compreender os invariantes dos conceitos.

A segunda questão, proposta pela psicologia frente à Educação Matemática, refere-se às consequências da aprendizagem da Matemática. O ensino da Matemática, como o ensino do Latim ou da Gramática, já foi. em certas ocasiões, justificado em termos de sua consequência ampla para o raciocínio dos alunos. No entanto, apenas recentemente, as consequências da aprendizagem da Matemática têm sido investigadas de maneira sistemática. Essas análises têm mostrado ser a questão muito mais complexa do que se imaginou anteriormente. Por um lado. Diversos estudos com populações pouco escolarizadas (como mestres-de-obras.
marceneiros, pequenos agricultores, feirantes. pescadores, etc.) mostram que é possível documentar de modo claro a compreensão de inúmeros invariantes ligados a conceitos matemáticos relativamente complexos, em pessoas que não frequentaram a escola por tempo suficiente para terem recebido instrução nesses conceitos. Por outro lado sua representação do conceito tende a divergir daquela transmitida na escola e a refletir as limitações específicas do modo de representação utilizado.

O Novo Papel do Professor
Se considerarmos o significado da Educação Matemática no mundo atual e a criação e o desenvolvimento de uma nova disciplina, a Educação Matemática, devemos concluir que o professor não pode mais reproduzir os modelos educacionais que ele próprio vivenciou enquanto aluno. Mudaram o mundo, os objetivos e a concepção de ensino, portanto, precisa mudar também o professor. As considerações psicológicas sugerem que o professor tem o papel de levar o aluno a reconstruir modelos matemáticos que ele compreenda em outras situações, representá-los de maneira a poder utilizar os mais poderosos sistemas simbólicos da Matemática, como instrumento de pensamento, utilizá-los em uma variedade de situações que lhe deem significado.

Finalmente, o professor de Matemática precisa também comprometer-se com o ensino crítico da Matemática. A Matemática cria realidades para o indivíduo como, por exemplo, através da escolha social de modelos que determinam o preço de serviços essenciais (como eletricidade) e os índices de inflação. A análise desses modelos que criam realidades é essencial à formação crítica do aluno.
“As pessoas crescidas adoram os números.
Quando você lhes fala de um novo amigo, elas nunca perguntam o essencial: ‘Qual é o som de sua voz?  
Quais são seus brinquedos preferidos? Ele coleciona borboletas?’
Elas sempre perguntam: ‘Qual é sua idade?
 Quantos irmãos ele tem?
 Quanto ele pesa?
 Quanto ganha seu pai?’ Somente então elas acreditam tê-lo conhecido.
Se você diz às pessoas crescidas: ‘Eu vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, com gerânios nas janelas e pombos no telhado...’ elas não conseguem nem imaginar essa casa.
 É necessário dizer-lhes – ‘eu vi uma casa de cem mil francos.’
Então elas exclamam – ‘Como é bonita!’”
(Antoine de Saint-Exupéry, em O pequeno Príncipe)